Abordagem médica especializada para o controle da coceira, das placas avermelhadas e do inchaço, sem restrições alimentares desnecessárias. Diagnóstico estruturado, ferramentas internacionais de avaliação e terapias biológicas no Instituto de Alergia de Rondônia (IARO), com a Dra. Luciana Maraldi.
Para quem é este atendimento?
- Pessoas com placas avermelhadas e coceira intensa há mais de 6 semanas, que surgem e desaparecem diariamente em diferentes áreas do corpo.
- Quem apresenta episódios súbitos de inchaço (angioedema) em pálpebras, lábios, orelhas, mãos, pés ou genitais.
- Pacientes que convivem com receio constante da alimentação, fazendo dietas restritivas por conta própria sem melhora das lesões.
- Pessoas que utilizam antialérgicos de forma contínua por conta própria, mantendo sintomas diários ou precisando de doses cada vez maiores.
- Pacientes que dependem de idas repetidas ao pronto-socorro, com uso frequente de corticoides para alívio passageiro.
- Casos de Urticária Crônica Espontânea (UCE) grave que não melhoram com antialérgicos e são candidatos à avaliação para tratamento com imunobiológico.
O que é a Urticária e como ela se manifesta?
A urticária é uma condição inflamatória caracterizada pelo surgimento de urticas: placas avermelhadas, com relevo, que coçam e podem dar sensação de calor ou queimação.
Elas surgem pela ativação dos mastócitos, células de defesa da pele que liberam substâncias como a histamina. A histamina dilata os vasos e aumenta a passagem de líquido para a pele, formando as placas e o inchaço.
Duas características definem a urticária:
- Lesões passageiras: cada placa dura menos de 24 horas no mesmo local. Ela desaparece sem deixar marcas ou cicatrizes, e novas placas podem surgir em outras regiões do corpo.
- Associação frequente com angioedema: em cerca de 40% a 50% dos pacientes, a reação atinge camadas mais profundas da pele e das mucosas, provocando inchaço em lábios, pálpebras, orelhas, mãos, pés ou genitais, que pode levar até 72 horas para desaparecer.
Classificação: Urticária Aguda vs. Urticária Crônica
O tempo de duração dos sintomas é o que define o tipo de urticária.
1. Urticária Aguda (duração inferior a 6 semanas)
Quadro que costuma se resolver sozinho, muito frequente em atendimentos de urgência:
- Causa mais comum na infância: as infecções virais (respiratórias ou intestinais) são o principal fator desencadeante.
- Outros desencadeantes: reações a medicamentos (especialmente anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos) e, menos comumente, alimentos ou picadas de insetos.
2. Urticária Crônica (duração superior a 6 semanas)
Quando as urticas e/ou o angioedema persistem por mais de 6 semanas, a urticária crônica se divide em dois tipos:
Urticária Crônica Espontânea (UCE): é a grande maioria dos casos crônicos. Surge de forma espontânea, sem depender de fatores externos ou de alimentos. Está ligada a mecanismos autoimunes e a uma desregulação dos próprios mastócitos. Dietas de exclusão não funcionam nessa condição.
Urticária Crônica Induzível (UCInd): as lesões são provocadas por estímulos físicos que se repetem:
- Dermografismo sintomático: surgimento de urticas em linha após fricção, coçar ou atrito na pele.
- Urticária colinérgica: pequenas lesões puntiformes provocadas pelo aumento da temperatura do corpo, banhos quentes, suor ou exercício.
- Urticária de pressão tardia: inchaço profundo em áreas submetidas a pressão contínua (alças de bolsas, cintos apertados ou sola dos pés após caminhada).
- Estímulos térmicos: reações provocadas pelo contato com frio ou calor localizado.
Diferenciar corretamente as formas aguda, crônica, espontânea ou induzível é a base para evitar restrições desnecessárias e direcionar o tratamento.
Sinais de Alerta para Avaliação com o Especialista
- Lesões por mais de 6 semanas: placas avermelhadas e coceira quase diárias precisam de investigação especializada.
- Episódios repetidos de angioedema: inchaço recorrente em pálpebras, lábios, língua ou extremidades.
- Sintomas no corpo todo (alerta de emergência): se as placas vierem acompanhadas de falta de ar, sensação de aperto na garganta, queda de pressão, tontura ou vômitos, procure atendimento de urgência imediatamente. Depois que o quadro estiver estável, a investigação da causa deve ser feita em consulta.
- Uso diário de remédios sem controle: automedicação contínua ou sintomas que persistem apesar das doses habituais de antialérgicos.
- Lesões que surgem após estímulos físicos: relacionadas a temperatura, esforço ou atrito.
- Uso repetido de corticoides orais ou injetáveis: injeções de corticoide de depósito para conter crises trazem efeitos adversos importantes a médio prazo e não controlam a urticária a longo prazo.
Como é a Consulta de Urticária no IARO
Na urticária crônica, a conduta é guiada pela história clínica e por escores estruturados de controle, evitando pedidos desnecessários de exames.
A consulta com a Dra. Luciana Maraldi compreende:
1. Mapeamento detalhado dos episódios
- Caracterização no tempo: quanto dura cada lesão e se há angioedema associado.
- Rastreio de estímulos físicos: identificação de fatores mecânicos ou térmicos que provocam as crises.
- Revisão dos medicamentos: avaliação do uso de anti-inflamatórios (como ibuprofeno, cetoprofeno, diclofenaco e aspirina), que podem piorar os sintomas em parte dos pacientes com UCE.
2. Questionários Estruturados (UAS7 e UCT) e Monitoramento Digital
Utilizamos métricas internacionais de avaliação clínica:
- UAS7 (Urticaria Activity Score 7): registro diário em que o paciente pontua, por 7 dias seguidos, a intensidade da coceira e o número de lesões (escala de 0 a 42 pontos, que mede a atividade da doença).
- UCT (Urticaria Control Test): questionário validado de 4 perguntas que mede o nível de controle da doença nas últimas 4 semanas (pontuação de 12 ou mais indica doença controlada).
O aplicativo CRUSE Control Urticaria: para facilitar o acompanhamento, indicamos o aplicativo gratuito CRUSE Control Urticaria, desenvolvido por especialistas da rede internacional GA²LEN:
- Registro diário: permite anotar em poucos segundos a presença de lesões, inchaço, intensidade da coceira e impacto na rotina.
- Relatório clínico: gera relatórios com gráficos do UAS7 e do UCT, facilitando o compartilhamento de dados confiáveis nas consultas de retorno.
- Download: disponível gratuitamente na Google Play Store (Android) e na Apple App Store (iPhone).
3. Exames direcionados e diretrizes científicas
Exames complementares (como avaliação da tireoide e marcadores inflamatórios) são pedidos de forma individualizada, apenas quando a história clínica sugere doenças associadas.
Nossa conduta segue as diretrizes e materiais das principais redes científicas de urticária:
- Rede Urticária Brasil (RUBRA): rede voltada ao estudo da urticária e ao apoio a pacientes no Brasil.
- Rede Global de Centros UCARE (GA²LEN UCARE): rede internacional de centros de referência em urticária.
Como é o Tratamento Moderno da Urticária
As diretrizes internacionais (EAACI/GA²LEN, com participação da ASBAI) recomendam um tratamento em etapas para alcançar o controle da doença:
1. Anti-histamínicos de 2ª Geração (base do tratamento)
Utilização de antialérgicos modernos que não dão sono (como bilastina, fexofenadina, levocetirizina e desloratadina):
- Aumento da dose (até 4 vezes a dose diária): se a dose habitual não controlar as lesões e a coceira, as diretrizes recomendam aumentar a dose em até quatro vezes, com orientação médica.
- Segurança: o aumento da dose dos anti-histamínicos de 2ª geração sob acompanhamento médico é seguro e controla a maioria dos pacientes com UCE.
2. Imunobiológicos para urticária crônica: idade e cobertura
Para pacientes com UCE que continuam com sintomas mesmo com o aumento da dose dos anti-histamínicos, existem medicamentos imunobiológicos. Situação em outubro de 2026:
- Omalizumabe: anticorpo que neutraliza a Imunoglobulina E (IgE) e diminui a ativação dos mastócitos, aplicado sob a pele, no consultório, em intervalos regulares. Aprovado a partir dos 12 anos, com alta eficácia em estudos clínicos e controle completo dos sintomas e do angioedema em grande parte dos pacientes. Plano de saúde: cobertura obrigatória pelo Rol da ANS para urticária crônica espontânea que não responde aos anti-histamínicos, conforme a Diretriz de Utilização (DUT). SUS: não está disponível para urticária, apenas para asma grave.
- Dupilumabe: aprovado no Brasil a partir dos 2 anos para urticária crônica espontânea não controlada com anti-histamínicos. Plano de saúde e SUS: ainda sem cobertura obrigatória para urticária.
- Ciclosporina: medicamento oral indicado pelas diretrizes para casos que não respondem aos imunobiológicos, com acompanhamento de exames.
O IARO emite o relatório médico com a pontuação de UAS7 e UCT e a justificativa técnica exigidos pelos planos de saúde. As regras de cobertura mudam com frequência e são conferidas no momento do laudo.
3. Orientações sobre o Uso de Corticoides
Corticoides orais ou injetáveis não são indicados para uso contínuo na urticária crônica. O uso continuado provoca efeito rebote (piora acentuada dos sintomas após a suspensão) e riscos metabólicos conhecidos. O uso se restringe a ciclos curtos de resgate (de 3 a 7 dias) em crises agudas graves.
4. Medidas Gerais e Desmistificação de Dietas
- Evitar anti-inflamatórios: evitar anti-inflamatórios comuns, que podem piorar os sintomas.
- Cuidados com estímulos físicos: roupas confortáveis, proteção contra frio ou calor e prevenção de atritos nos casos de urticária induzível.
- Desmistificação de dietas restritivas: dietas de exclusão por conta própria não fazem parte do tratamento da Urticária Crônica Espontânea. Manter uma alimentação equilibrada e variada preserva a nutrição e reduz o estresse associado à doença.
Perguntas Frequentes sobre Urticária (FAQ)
A urticária é causada por alergia alimentar?
Nos quadros agudos, alimentos podem eventualmente ser o gatilho. Na urticária crônica, a causa alimentar é rara, e a condição está ligada principalmente a mecanismos autoimunes e à desregulação dos próprios mastócitos.
É necessário fazer dieta restritiva na urticária crônica?
Não. Retirar alimentos da rotina sem comprovação diagnóstica não cura a UCE e pode comprometer a ingestão de nutrientes essenciais. A alimentação deve ser mantida normal e equilibrada.
A urticária crônica pode entrar em remissão?
Sim. A urticária aguda costuma se resolver em dias ou semanas. A forma crônica pode durar de meses a anos, mas na maioria dos casos é possível controlá-la com o tratamento adequado até que ocorra a remissão espontânea.
O angioedema representa risco à respiração?
Na maioria dos casos, o inchaço em pálpebras, lábios e extremidades causa desconforto sem afetar a respiração. Porém, rouquidão, dificuldade para engolir ou sensação de aperto na garganta são sinais de alerta que exigem atendimento de urgência imediato.
Os planos de saúde cobrem o tratamento com omalizumabe?
Sim. O omalizumabe para Urticária Crônica Espontânea que não responde aos anti-histamínicos tem cobertura obrigatória no Rol de Procedimentos da ANS para pacientes a partir de 12 anos que preenchem os critérios da Diretriz de Utilização (DUT). O IARO fornece o relatório médico com as métricas de atividade da doença para a solicitação junto ao plano.
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Sobre a Médica e o Instituto de Alergia de Rondônia (IARO)
Dra. Luciana Maraldi · Médica Alergista e Imunologista · CRM-RO 2366 · RQE 1514
Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com residência médica em Clínica Médica e em Alergia e Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto). Título de Especialista em Alergia e Imunologia pela USP – Ribeirão Preto, conferido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Instituto de Alergia de Rondônia (IARO) · Diretora Técnica Médica: Dra. Luciana Maraldi · CRM-RO 2366 · RQE 1514. Clínica especializada no diagnóstico e tratamento de doenças alérgicas e imunológicas em Porto Velho.
Conteúdo educativo e informativo em saúde. Não substitui a consulta médica presencial.
Referências científicas: Diretriz Internacional EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI para Definição, Classificação, Diagnóstico e Manejo da Urticária (2022, com participação da ASBAI); Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Diretriz de Utilização para omalizumabe.