O objetivo é respirar melhor, dormir com tranquilidade e precisar menos da emergência. Diagnóstico do componente alérgico e plano de controle contínuo no Instituto de Alergia de Rondônia (IARO), com a Dra. Luciana Maraldi.
Para quem é este atendimento?
- Crianças com histórico de crises respiratórias frequentes que apresentam episódios recorrentes de tosse e chiado no peito ao menor sinal de infecção viral ou mudança climática.
- Adultos e idosos que sentem cansaço desproporcional para caminhar, subir escadas ou realizar atividades rotineiras.
- Pacientes que utilizam a medicação de alívio várias vezes por semana ou acordam tossindo durante a madrugada.
- Famílias que buscam alternativas às idas repetidas ao pronto-socorro, focando na prevenção e no tratamento de base em vez de apenas remediar a crise.
- Pessoas que utilizam medicamentos inalatórios, mas sentem que o efeito não é satisfatório (situação frequentemente ligada à técnica inalatória inadequada ou ausência de espaçador).
- Casos de asma grave que necessitam de avaliação especializada para indicação de medicamentos imunobiológicos e laudos médicos para os planos de saúde.
O que é a Asma?
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores (os brônquios). Quando inflamados, os brônquios tornam-se hiper-reativos, sofrem edema, acumulam muco e se estreitam diante de determinados estímulos, dificultando a passagem do ar.
Em uma parcela expressiva dos pacientes — sobretudo em crianças e adultos jovens —, a asma apresenta uma base alérgica relevante. Nesses casos, diagnosticar e tratar a sensibilidade aos alérgenos ambientais é determinante para o controle da doença.
Na nossa região, destacam-se como gatilhos frequentes:
- Ácaros da poeira e fungos do ar (mofo): favorecidos pelo clima quente e úmido de Porto Velho, com grande concentração em colchões, estofados e aparelhos de ar-condicionado.
- Fumaça e partículas ambientais: a poluição atmosférica e a fumaça de queimadas sazonais irritam diretamente a mucosa brônquica já inflamada.
- Infecções virais respiratórias: resfriados e gripes são os principais desencadeadores de exacerbações na infância.
- Oscilações bruscas de temperatura: transição rápida do calor ambiente para ambientes com ar-condicionado intenso.
- Pelos e descamação de cães e gatos, odores fortes e produtos químicos de limpeza.
- Esforço físico, riso ou choro intenso: especialmente quando a inflamação brônquica não está devidamente estabilizada.
Sinais de que é hora de procurar o especialista
- Tosse seca persistente: com piora noturna, que interrompe o sono ou se manifesta logo ao acordar.
- Chiado no peito ou sensação de aperto torácico: ruídos perceptíveis durante a expiração e peso no tórax.
- Falta de ar aos esforços habituais: cansaço excessivo em caminhadas ou brincadeiras cotidianas.
- Necessidade frequente de broncodilatador de alívio: precisar da medicação de resgate (como o salbutamol) mais de duas vezes na semana indica falta de controle da inflamação de base.
- Necessidade recorrente de atendimento de emergência: histórico de consultas em pronto-atendimento ou uso de corticoides orais/injetáveis no último ano.
- Sintomas nasais associados: rinite alérgica não tratada com congestão, coriza e espirros frequentes.
Como é a consulta no IARO
No Instituto de Alergia de Rondônia, a abordagem visa à prevenção e à estabilização clínica:
- Anamnese detalhada: histórico clínico minucioso sobre a periodicidade das queixas, fatores de piora domiciliares ou ocupacionais e resposta a tratamentos anteriores.
- Exame físico: avaliação direcionada do aparelho respiratório e das vias aéreas superiores.
- Checagem e orientação da técnica inalatória: grande parte das queixas de ineficácia dos medicamentos inalatórios decorre de falhas na inalação. A médica confere o manuseio dos dispositivos e instrui o uso correto de espaçadores valvulados.
- Investigação funcional respiratória: quando indicada, a espirometria (prova de função pulmonar) é solicitada em serviço especializado parceiro.
- Mapeamento alérgico (Prick Test): realizado em consultório (com leitura em cerca de 20 minutos) para identificar sensibilização a ácaros, fungos e epitélios de animais, orientando o controle ambiental e eventual indicação de imunoterapia. Alguns remédios, como os antialérgicos, precisam ser suspensos alguns dias antes do teste, e a equipe orienta no agendamento.
Tratamento Integrado da Asma no Instituto de Alergia de Rondônia
1. Terapia medicamentosa de controle (Pilar fundamental)
A base farmacológica da asma reside no uso regular de corticoides inalados, associados ou não a broncodilatadores de longa ação.
Na maioria dos casos, o medicamento de controle é utilizado diariamente, conforme prescrição médica, independentemente da presença de sintomas no dia. A sua ação anti-inflamatória contínua reduz a hiper-reatividade brônquica, ajudando a prevenir crises agudas e a diminuir a necessidade de corticoides sistêmicos.
2. Medicação de alívio e Plano de Ação por escrito
- Medicação de alívio conforme as diretrizes atuais (GINA): sempre que possível, a bombinha de alívio combina corticoide inalado e formoterol, que alivia os sintomas em poucos minutos e trata a inflamação ao mesmo tempo. O broncodilatador de ação rápida sozinho, sem corticoide, não é mais recomendado como único tratamento da asma.
- Fornecimento de um Plano de Ação Individualizado por Escrito, permitindo ao paciente e aos familiares reconhecerem sinais precoces de exacerbação e saberem quando buscar suporte médico de urgência.
3. Uso de espaçador valvulado para aerossol
O uso de espaçadores valvulados é fundamental para quem utiliza medicação em spray (aerossol), especialmente crianças e idosos. O dispositivo otimiza a deposição pulmonar do fármaco e reduz o depósito residual na orofaringe.
4. Abordagem unificada das vias aéreas (Tratamento da Rinite)
Como o trato respiratório superior e inferior compartilham mecanismos inflamatórios semelhantes, o tratamento adequado da rinite alérgica é indispensável para o equilíbrio da asma.
5. Imunoterapia Alérgeno-Específica
Para pacientes com asma alérgica controlada e sensibilização comprovada a aeroalérgenos, a imunoterapia (subcutânea ou sublingual) atua na modulação da resposta imunológica, auxiliando na redução de sintomas e na diminuição da necessidade de medicações de controle a longo prazo.
6. Terapias Biológicas para Asma Grave
Para pacientes com asma grave que permanecem sintomáticos mesmo em vigência de tratamento inalatório otimizado em doses elevadas, a medicina dispõe de medicamentos imunobiológicos:
- Anticorpos monoclonais anti-IgE: como o omalizumabe, indicados para casos selecionados de asma alérgica grave.
- Terapias anti-interleucina-5 (anti-IL-5): como o mepolizumabe e o benralizumabe, indicadas para o fenótipo eosinofílico grave.
- Bloqueadores de receptores de IL-4 e IL-13: como o dupilumabe, indicados para asma grave com inflamação do tipo 2.
- Anticorpo anti-TSLP: como o tezepelumabe, que age no início da cascata inflamatória e pode ser indicado para asma grave mesmo quando não há perfil alérgico ou eosinofílico definido.
Idade aprovada e cobertura pelos planos de saúde e pelo SUS
Os imunobiológicos são indicados para asma grave que continua sem controle mesmo com corticoide inalado em dose alta associado a broncodilatador de longa ação, com crises graves no último ano. Situação em outubro de 2026:
- Omalizumabe: a partir dos 6 anos, para asma alérgica grave. Plano de saúde: cobertura obrigatória pelo Rol da ANS. SUS: disponível a partir dos 6 anos, com critérios de peso e de IgE no sangue.
- Mepolizumabe: a partir dos 6 anos, para asma eosinofílica grave. Plano de saúde: cobertura obrigatória. SUS: disponível a partir dos 6 anos.
- Benralizumabe: para adultos com asma eosinofílica grave. Plano de saúde: cobertura obrigatória. SUS: disponível para adultos.
- Dupilumabe: a partir dos 6 anos. Plano de saúde: cobertura obrigatória para asma eosinofílica e para asma alérgica grave. SUS: disponível a partir dos 6 anos para asma alérgica grave.
- Tezepelumabe: a partir dos 12 anos. Plano de saúde: cobertura obrigatória para asma eosinofílica e para asma alérgica grave desde junho de 2025. SUS: ainda não disponível.
No SUS, os medicamentos são fornecidos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, conforme o Protocolo Clínico de Asma do Ministério da Saúde. O IARO fornece os laudos médicos e relatórios fundamentados conforme as Diretrizes de Utilização (DUT) da ANS e o protocolo do SUS. As regras de cobertura mudam com frequência e são conferidas no momento do laudo.
Perguntas Frequentes sobre Asma (FAQ)
A asma tem cura?
A asma é uma condição crônica, mas que pode ser satisfatoriamente controlada. O objetivo da terapêutica moderna é proporcionar ausência de sintomas diurnos e noturnos, prevenir exacerbações e assegurar a prática normal de exercícios físicos. Algumas crianças podem apresentar melhora expressiva com o amadurecimento das vias aéreas, evolução que deve ser sempre acompanhada clinicamente.
O medicamento inalatório (“bombinha”) causa dependência ou prejudica o coração?
Não. Os corticoides inalados atuam topicamente na mucosa dos brônquios em doses mínimas (microgramas), apresentando excelente perfil de segurança para uso contínuo em crianças e adultos sob supervisão médica. Os riscos reais à saúde decorrem das crises de asma recorrentes e do uso abusivo e repetido de corticoides orais ou injetáveis. Já a bombinha de alívio, como o salbutamol ou o formoterol, pode causar tremor nas mãos e coração acelerado por alguns minutos após o uso. É um efeito passageiro, que não lesa o coração quando o remédio é usado como orientado. Precisar dela com frequência é sinal de que a asma não está controlada e de que o tratamento precisa ser revisto.
Crianças com asma podem praticar atividades físicas?
Sim. Com a inflamação controlada pela medicação preventiva, a prática regular de esportes é recomendada e contribui para a capacidade cardiorrespiratória. A ocorrência de falta de ar aos esforços geralmente indica necessidade de ajuste da terapia de controle.
Quando consultar um especialista em Alergia e Imunologia para asma?
Procure o alergista quando a asma não estiver controlada: sintomas mais de duas vezes por semana, despertares noturnos por tosse ou falta de ar, uso frequente da bombinha de alívio, idas à emergência ou necessidade de corticoide oral no último ano. Também vale consultar quando há suspeita de que alergias pioram a asma, rinite associada ou dúvida no diagnóstico. Na consulta, o alergista e imunologista avalia a presença de desencadeantes alérgicos específicos por meio de testes clínicos, orienta medidas direcionadas de higiene ambiental, trata a rinite associada e indica terapias como a imunoterapia ou imunobiológicos quando pertinentes.
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Sobre a Médica e o Instituto de Alergia de Rondônia (IARO)
Dra. Luciana Maraldi · Médica Alergista e Imunologista · CRM-RO 2366 · RQE 1514
Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com residência médica em Clínica Médica e em Alergia e Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto). Título de Especialista em Alergia e Imunologia pela USP – Ribeirão Preto, conferido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Instituto de Alergia de Rondônia (IARO) · Diretora Técnica Médica: Dra. Luciana Maraldi · CRM-RO 2366 · RQE 1514. Clínica especializada no diagnóstico e tratamento de doenças alérgicas e imunológicas em Porto Velho.
Conteúdo educativo e informativo em saúde. Não substitui a consulta médica presencial.
Referências: GINA (Global Initiative for Asthma); Recomendações para o Manejo da Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT); Guia Prático de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).