Diagnóstico clínico estruturado, restauração da barreira cutânea e acompanhamento especializado para bebês, crianças e adultos no Instituto de Alergia de Rondônia (IARO), com a Dra. Luciana Maraldi.
Para quem é este atendimento?
- Bebês e crianças pequenas com pele seca, coceira persistente e noites mal dormidas.
- Pacientes que utilizam pomadas continuamente, mas as lesões retornam logo após a interrupção.
- Casos moderados a graves que necessitam de avaliação especializada para indicação de terapias imunobiológicas ou inibidores de JAK.
- Famílias que buscam laudos médicos circunstanciados e cálculo de escores para solicitação de tratamentos sistêmicos junto aos planos de saúde (conforme diretrizes da ANS).
- Pacientes submetidos a dietas restritivas empíricas sem comprovação diagnóstica e sem melhora do quadro cutâneo.
O que é a Dermatite Atópica?
A dermatite atópica (eczema atópico) é uma doença inflamatória crônica decorrente de uma fragilidade genética na barreira de proteção da pele associada a uma hiper-reatividade do sistema imunológico. A pele perde água com facilidade, torna-se xerótica (ressecada) e inflama diante de irritantes ou alérgenos do ambiente.
Dois esclarecimentos fundamentais:
- Não é contagiosa: a dermatite atópica não é transmitida por contato físico, roupas, água de piscinas ou objetos de uso comum.
- Não decorre de “falta de higiene”: pelo contrário, banhos frequentes ou demorados, água quente e sabonetes agressivos desestruturam o manto lipídico natural da pele e agravam as lesões.
Como a doença se apresenta em cada idade
- Em bebês (até 2 anos): placas eritematosas (avermelhadas) e descamativas que afetam predominantemente as bochechas, couro cabeludo e as faces extensoras de braços e pernas. A região coberta pelas fraldas habitualmente fica preservada.
- Em crianças (dos 2 aos 12 anos): padrão flexural típico, com lesões nas dobras dos cotovelos, atrás dos joelhos, pescoço, punhos e tornozelos. Pelo atrito constante do ato de coçar, a pele pode apresentar liquenificação (espessamento e aumento dos sulcos).
- Em adolescentes e adultos: padrão crônico com xerose acentuada e placas escurecidas (hiperpigmentação pós-inflamatória), com acometimento frequente das mãos, pescoço, pálpebras e grandes dobras corporais.
Fatores de piora e desencadeantes em Rondônia
- Calor e sudorese: em Porto Velho, o clima quente e úmido é um fator de estímulo frequente; o suor em contato com a pele inflamada deflagra prurido imediato.
- Banhos quentes e prolongados: removem a barreira de gordura protetora e aumentam o ressecamento da epiderme.
- Sabonetes alcalinos comuns e buchas de banho: o atrito físico e detergentes fortes danificam as camadas superficiais da pele.
- Tecidos sintéticos e roupas justas: dificultam a transpiração e provocam atrito nas áreas de dobras.
- Amaciantes com fragrâncias intensas: resíduos químicos nas fibras das roupas podem atuar como irritantes de contato.
- Colonização e infecções bacterianas: bactérias como o Staphylococcus aureus proliferam com facilidade nas microfissuras da pele, gerando crostas amareladas e acentuando a inflamação.
- Estresse emocional: afeta mediadores neuroimunológicos e intensifica o reflexo de coçar.
Como é a consulta no IARO
O diagnóstico da dermatite atópica é essencialmente clínico, baseado no exame físico e na história do paciente:
- Aplicação do SCORAD: utilizamos o índice internacional SCORAD (Scoring Atopic Dermatitis) para quantificar com precisão a extensão corporal acometida, a intensidade dos sinais inflamatórios e o impacto no sono e no prurido, orientando a conduta terapêutica de forma objetiva.
- Critério na indicação de testes alérgicos: exames de alergia não são realizados de forma indiscriminada. São solicitados apenas quando a história clínica aponta suspeita fundamentada de um gatilho específico, evitando restrições nutricionais desnecessárias na infância.
Tratamento em Etapas no Instituto de Alergia de Rondônia
1. Restauração diária da barreira cutânea (Pilar contínuo)
- Hidratação frequente com cremes emolientes ricos em ceramidas pelo menos duas vezes ao dia, aplicados preferencialmente nos primeiros minutos após o banho, com a pele ainda levemente umedecida.
- Banhos rápidos de 5 a 10 minutos com água em temperatura morna.
- Uso exclusivo de limpadores suaves sem sabão (syndets) ou óleos de banho, restritos às áreas necessárias, sem uso de esponjas ou buchas.
2. Controle ativo da inflamação tópica
- Corticosteroides tópicos: prescritos na potência adequada para a faixa etária e para a região corporal afetada, por tempo delimitado. Sob acompanhamento médico, representam um recurso terapêutico seguro e eficaz para o controle das exacerbações agudas.
- Inibidores tópicos da calcineurina (tacrolimo e pimecrolimo): anti-inflamatórios não esteroidais indicados para a manutenção e para o tratamento de áreas sensíveis, como pálpebras, face, pescoço e regiões de dobras.
3. Controle do prurido e manejo de infecções associadas
Medidas para redução do ciclo prurido-escoriação e tratamento direcionado com antissépticos ou antibióticos específicos quando houver sinais de infecção bacteriana secundária.
4. Terapias Sistêmicas para Formas Moderadas a Graves
Quando as medidas tópicas e os cuidados de barreira não alcançam controle clínico suficiente, dispõe-se de alternativas avançadas com acompanhamento especializado:
- Fototerapia: exposição médica supervisionada à radiação ultravioleta B de banda estreita (UVB-NB).
- Imunossupressores orais convencionais: como a ciclosporina, indicada para resgate e estabilização de quadros extensos refratários.
Medicamentos imunobiológicos: terapias direcionadas, aplicadas por via subcutânea, que bloqueiam citocinas inflamatórias centrais da resposta alérgica tipo 2:
- Dupilumabe: anticorpo monoclonal aprovado para dermatite atópica moderada a grave a partir dos 6 meses de vida.
- Lebriquizumabe: anticorpo monoclonal direcionado seletivamente contra a interleucina-13, aprovado a partir dos 12 anos.
- Tralokinumabe: anticorpo monoclonal que também neutraliza a interleucina-13, aprovado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos.
- Nemolizumabe: anticorpo monoclonal que bloqueia o receptor da interleucina-31, mediador importante da coceira, aprovado a partir dos 12 anos em associação com o tratamento tópico.
Inibidores de JAK (terapia oral): pequenas moléculas que modulam vias intracelulares de sinalização inflamatória:
- Upadacitinibe: inibidor oral seletivo aprovado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos.
- Abrocitinibe: inibidor oral seletivo de JAK1 aprovado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos.
- Baricitinibe: opção oral indicada para adultos com dermatite atópica moderada a grave elegíveis ao tratamento sistêmico.
Laudos Médicos e Diretrizes da Saúde Suplementar
Alguns imunobiológicos e inibidores de JAK têm cobertura obrigatória pelos planos de saúde ou fornecimento pelo SUS, sempre com critérios de gravidade e de falha dos tratamentos anteriores. Situação em outubro de 2026:
- Dupilumabe: aprovado a partir dos 6 meses. Plano de saúde: cobertura obrigatória para crianças a partir de 6 meses com dermatite atópica grave e para adultos com dermatite atópica grave que não responderam, não toleraram ou não podem usar ciclosporina. SUS: incorporado para crianças de 6 meses a 11 anos com dermatite atópica grave, com fornecimento em implantação.
- Upadacitinibe: aprovado a partir dos 12 anos. SUS: incorporado para adolescentes de 12 a 17 anos, com pelo menos 40 kg e dermatite atópica grave, com fornecimento em implantação. Plano de saúde: ainda sem cobertura obrigatória.
- Lebriquizumabe: aprovado a partir dos 12 anos. Plano de saúde: cobertura obrigatória para adultos com dermatite atópica grave desde julho de 2026. SUS: não incorporado.
- Tralokinumabe, nemolizumabe, abrocitinibe e baricitinibe: ainda sem cobertura obrigatória pelos planos de saúde e não incorporados ao SUS.
Para a cobertura, os planos exigem escores validados, como o SCORAD, e comprovação de que o tratamento anterior não funcionou. O IARO emite relatório médico detalhado, pontuação de escores validados e justificativa clínica para a solicitação junto aos convênios e ao SUS. As regras de cobertura mudam com frequência e são conferidas no momento do laudo.
Educação do Paciente e da Família
A dermatite atópica demanda manejo continuado. Fornecemos um plano de ação claro e por escrito, orientando a conduta nas fases de exacerbação e nas fases de estabilidade da pele. Essa orientação estruturada reduz o abandono do tratamento, ajuda a evitar idas ao pronto-socorro e contribui para a melhora da qualidade de vida e do sono de toda a família.
Perguntas Frequentes sobre Dermatite Atópica (FAQ)
A dermatite atópica é contagiosa?
Não. Trata-se de uma condição genética e inflamatória da pele. Não é transmitida por contato interpessoal, objetos, água ou convivência social.
O corticoide tópico na pele é seguro?
Sim, desde que utilizado sob prescrição e orientação médica, na potência apropriada para a área do corpo e pelo período determinado. O uso correto controla a inflamação de forma rápida e segura; os problemas ocorrem quando há automedicação ou uso inadvertido e prolongado de pomadas de alta potência sem supervisão.
A dermatite atópica tem relação direta com alergia alimentar?
Apenas em uma parcela minoritária dos pacientes, em geral bebês e crianças pequenas com quadros moderados a graves que não respondem à terapia tópica habitual. A exclusão de alimentos da dieta (como leite ou ovos) não deve ser feita de forma empírica e exige comprovação diagnóstica por especialista, evitando deficiências no crescimento infantil.
A doença tem cura definitiva?
A dermatite atópica é uma afecção crônica que cursa em surtos e períodos de remissão. Muitas crianças apresentam melhora clínica substancial ao longo do desenvolvimento. Para os casos persistentes, os tratamentos atuais permitem controlar a doença na maioria dos pacientes.
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Sobre a Médica e o Instituto de Alergia de Rondônia (IARO)
Dra. Luciana Maraldi · Médica Alergista e Imunologista · CRM-RO 2366 · RQE 1514
Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com residência médica em Clínica Médica e em Alergia e Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto). Título de Especialista em Alergia e Imunologia pela USP – Ribeirão Preto, conferido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Instituto de Alergia de Rondônia (IARO) · Diretora Técnica Médica: Dra. Luciana Maraldi · CRM-RO 2366 · RQE 1514. Clínica especializada no diagnóstico e tratamento de doenças alérgicas e imunológicas em Porto Velho.
Conteúdo educativo e informativo em saúde. Não substitui a consulta médica presencial.
Referências científicas: Guia Prático de Atualização em Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); Consenso Brasileiro de Dermatite Atópica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); EuroGuiDerm Guideline on Atopic Eczema, European Academy of Dermatology and Venereology (EADV) e European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI); Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).